22.4.10

SERÁ QUE TENHO RAZÃO?

Ouvi ontem palavras do professor Marcelo Rebelo de Sousa que me deixaram espantado. Por duas ordens de razão, por um lado conhecendo a sua apetência pelo mercado completamente livre em qualquer tipo de relação humana ou social, inclusive o das relações laborais, por outro pela sua preocupação com os trabalhadores, orientação que do alto da sua cátedra de burguês endinheirado nunca perfilou nem quando teve responsabilidades políticas ao nível da liderança do PSD. E perante palavras tão profundas e incisivas acabei a questionar-me: Será que eu tenho razão?
Ainda que os seus argumentos e a extensão das suas preocupações se cingissem a esta época de crise (sob os efeitos do PEC) e às empresas participadas pelo Estado, o certo é que de algum modo veio confirmar as minhas análises e propostas quanto à existência de um tecto salarial para os gestores mais bem pagos. Mas convenhamos que a sua ousadia se aproximou muito mais da minha (claramente numa perspectiva de esquerda) ao afirmar para o quem quis ouvir na Feira do livro de Coimbra que deveria ser o Governo (ou em última instância a Assembleia da Republica) a legislar sobre o assunto.
É sem dúvida um desafio enorme aquele que foi lançado, um pouco na linha do que eu já havia proposto neste blogue, mas tem dois efeitos mais profundos! Por um lado porque são proferidos pelo professor Marcelo e não pelo Virgílio, o segundo porque têm origem numa pessoa que "endeusa" o mercado e não numa que dele desconfia, ainda que lhe ache virtudes.

1 comentário:

Lu! disse...

Não adianta quem fale... Eles falam mas nada fazem...