30.6.10

O INTERESSE NACIONAL

O Estado português recorreu à "golden-share" que mantêm na PT para evitar que os espanhóis da Telefónica adquirissem a posição da Vivo. Depois de um jogo do mundial, mais uma vez nos tivemos de confrontar com os nossos vizinhos castelhanos, agora no campo da economia, pelo domínio daquilo que alguns analistas consideram o mais importante activo da PT. Como não conheço em pormenor os activos ou passivos daquela, como de muitas outras, empresa também não posso fazer considerações muito profundas sobre o caso.
De qualquer modo, li algures que a manutenção da Vivo na PT e a intervenção do Estado ao impedir a sua venda era uma questão de interesse nacional. O primeiro-ministro, por outras palavras, parece ter concordado com isso e até o líder do maior partido da oposição, Pedro Passos Coelho comunga da mesma opinião, visto ter declarado que a alguns órgãos de comunicação social que o Estado deveria fazer uso da dita "golden-share". Daqui se deduz que certamente era mesmo do interesse nacional ficar com a Vivo.
E ainda que considere que os partidos se devem entender em muitas matérias, e que a economia hoje em dia é um assunto estratégico, faz-me confusão que não tenham o mesmo entendimento quando está em causa a economia das pessoas na perspectiva de reduzirmos os números da pobreza para baixo dos 20% dos portugueses, 1/5 como expressava o estudo que foi apresentado ontem à tarde! Não será isso um Interesse Nacional?

1 comentário:

Antonio Branco disse...

Gostaria que Portugal ficasse com a VIVO.
Mas vivemos numa sociedade capitalista. Não era o que eu queria quando mais jovem ...mas é o que temos. Essa sociedade tem regras. E quando os compradores querem comprar e os vendedores querem vender e há alguém (neste caso o Estado português) que impede o negócio, há consequências. Se os compradores e vendedores persistirem, não há estado que os impeça. É tudo uma questão de tempo. É que se o Estado queria controlar a empresa, não a tinha privatizado há anos atrás... agora, se a quer controlar sem a deter, tem de se haver com os donos e com os reguladores europeus... é uma questão de tempo...
Pior ainda... o preço oferecido pela VIVO era pouco menos do que o preço da totalidade da PT. Nada nos garante que não tendo os espanhóis conseguido negociar a VIVO não façam agora uma OPA à PT... e aí, o Estado tem de se haver com Bruxelas... mas fica sem a VIVO e sem a PT...
Quanto à redução da pobreza... eu nem sou monarca mas com a monarquia havia famílias a explorar a população que a certa altura, de tão ricas, podiam reduzir a exploração. Agora, com a República parlamentar, com PR e PM sempre a mudar, há mais gente para enriquecer... a população é um acessório...
Um abraço!