7.12.10

FOI DE TRIVELA

Dia B, ou Dia C. Não se trata de nenhuma repetição do desembarque dos aliados na Normandia, mas sim o ataque dos espoliados à vigarice. Dia B, de "Bancofobia" ou Dia C de "Cantonismo" ou chama-lhe lá que quiserem. Eric Cantona lançou o alerta e desconheço em todo o mundo quantos seguiram o seu apelo, aliás a esta hora não sei mesmo qual foi a actuação do próprio. O que sei é ontem e hoje foram imensos os economistas e os banqueiros que apelaram para que as pessoas não actuassem de acordo com a teoria do ex-futebolista. Estão com medo, claro que estão, pois a quantidade de seguidores que expressaram ideia de seguir a recomendação de retirar todo o seu dinheiro dos bancos já ultrapassava os 60 mil e o mal disto é começar.
Ora eu, modesto cidadão a quem não sobra nada no final do mês e que vou levantando o meu dinheiro aos poucos, conforme as necessidades, hoje alinhei na equipa de Cantona, e depois daquele passe extraordinário do categorizado atacante, fiz golo de trivela. Ou seja do pouco que tinha no banco fui lá e levantei tudo, bem sei que é uma mera gota de água no oceano, mas se pensarmos que uma chuva torrencial é feita de milhões de gotas de água, pode ser que tenha ajudado a difundir a ideia. Agora só é preciso continuar com outras iniciativas do género até que aqueles senhores dos bancos se convençam que não fazem tudo o que querem!

1 comentário:

Antonio Branco disse...

Olá Virgílio!
Eu acho que começo a ser um chato no seu blog…
Na verdade, acho que a maioria das pessoas não sabe como funciona a maioria das instituições de que beneficia… e por isso age assim.
Os bancos abrem quando têm a autorização do Estado mas também quando detêm cerca de 5% (que têm de ser mantidos líquidos) do valor que depois vão emprestar (com a autorização do Banco de Portugal). Ora… se os bancos abrem detendo valores destes, significa que basta terem 1 milhão de contos para emprestarem 20 milhões (os valores foram mudados recentemente, pelo que não sei ao certo se são 5 ou 6%, ou um valor parecido). Mas pense: se, com base em 1 milhão posso emprestar 20 milhões, empresto muito mais do que tenho MAS: para compra de casas, carros, compra de matérias por parte de empresas para que estas possam produzir, para pagamentos de salários…
Assim, sempre que alguém se lembra de levantar dinheiro, esse dinheiro é retirado aos 5% que têm de ser mantidos líquidos. Só que entretanto, milhares de pessoas depositaram dinheiro que vai directamente para os tais empréstimos para compra de casa, empréstimos a empresas para compra de materiais de produção, pagamento de salários…
Se todos se lembrarem de pedir o seu dinheiro, rapidamente serão ultrapassados os 5% líquidos. Como consequência, o banco terá de pedir a outros bancos (que podem não emprestar por falta de confiança – que não existe neste momento - ou porque estão numa situação semelhante, em que todos os seus clientes tentam fazer levantamentos) e, como consequência, por falta de dinheiro, têm de declarar insolvência, levando à falência TODAS as famílias que não conseguiram tirar o seu dinheiro enquanto havia os tais 5%. Acredito que se isso sucedesse, os primeiros a tirar o dinheiro seriam os próprios accionistas (por informação privilegiada). Daí… milhares de famílias ficariam sem nada (ou com os 100000€ que o Estado diz que dá, caso o banco vá à falência – gostaria de saber onde é que Estado iria buscar esse dinheiro se todos os bancos estivessem nessa situação). Por falta de dinheiro emprestado pelos bancos, as empresas não conseguiriam empréstimos para pagar matérias primas ou salários: iriam, também elas, à falência em pouco tempo (os compradores também não conseguiriam pagar a mercadoria recebida porque dependem, também eles, de empréstimos bancários para pagarem os materiais antes de os venderem, altura em que devolvem o dinheiro). O resultado seria uma multidão de desempregados, dependentes de um Estado que não cobraria impostos. Em pouco tempo, quem estivesse armado e/ou com uma reserva de mantimentos, seria quem iria prevalecer… (não é este o tipo de sociedade que quero).
Assim… a retirar-se dinheiro de bancos, tal não pode suceder de uma forma massiva. Se tal suceder, deixamos de ter a sociedade que temos. Em 3 tempos. É importante mudar a sociedade? É. Mas é preciso haver uma alternativa que nos favoreça. Se não houver… mais vale estar quieto… pelo menos em relação a esta história dos bancos. São responsáveis pelo que sucedeu? Os bancos portugueses nem por isso. Os americanos e alguns europeus (nomeadamente os irlandeses e o português BPN) fizeram investimentos que não deveriam ter feito, sim.
Mas a alternativa à existência de bancos é (neste momento), o não existirem bancos: se não existirem, não há empréstimos para compra de bens, empréstimos para investimento por parte de empresas, pagamentos de salários a horas… se não houver investimento, diminuem as empresas e os empregados. Será (verdadeiramente) o “cada um por si”. E aí, nem haverá cobrança de impostos… porque não haverá a quem os cobrar. Não havendo… não haverá educação gratuita, saúde quase gratuita, transportes públicos baratos, energia eléctrica subsidiada, policiamento gratuito…

Eu não volto a chatear tão depressa.
Um abraço!